Carta de Paulo aos Gálatas
Esta carta de Paulo aos gálatas foi definida como o manifesto da liberdade cristã e universalidade da Igreja. Daí sua importância. Contudo, libertação de quê para quê?
Libertação de uma vida programada externamente por um minucioso código de regras e leis, que conservam o homem numa atitude infantil diante da vida.
Libertação para uma vida adulta e consciente, graças ao uso responsável da liberdade.
A vida do homem não deve ser determinada por um código de leis, mas por compromisso pessoal e íntimo com Cristo, que está presente no profundo do ser humano.
A liberdade é conduzida pelo amor a si mesmo e aos outros, amor que é compromisso ativo com o crescimento do outro.
Ao ler a carta aos gálatas, nós, cristãos de hoje, somos convidados a uma série revisão:
onde está a motivação fundamental que dirige a nossa vida cristã:
numa série de observâncias mecânicas de leis e ritos?
Ou no compromisso com Jesus Cristo, que se realiza através de amor responsável e criativo?
A Igreja também é convidada a essa revisão de vida: ela realmente educa os filhos de DEUS para a liberdade e a fé?
Ou estabelece leis que escravizam e esterilizam a vida cristã?
As instituições eclesiais visam a colocar fronteiras de salvação?
Ou procuram formar comunidades comprometidas com Jesus Cristo e abertas para servir a todos?
De Ivo Storniolo
domingo, 18 de agosto de 2013
CONFIANÇA E FIDELIDADE
Leitura Bíblica: Provérbios 3. 1-35
É COM FIDELIDADE QUE SE EXPRESSA A CONFIANÇA EM DEUS
Você sabe o que é graça? É favor concedido por DEUS a uma pessoa. A graça é um dom de DEUS que influencia a nossa vida. Então, se caminharmos corretamente com DEUS, com toda certeza agiremos da mesma forma para com nosso próximo. Nunca poderemos separar as duas coisas.
Pense no seguinte:
a) Um sábio relacionamento com DEUS (v 5-26)
A pessoa sábia com certeza confia no Senhor (v 5) e não em si mesma porque traz continuamente o Senhor na mente e na alma. Ela conhece a postura certa (v 6) e, é claro, obedece ao Senhor, honrando-o, não achando que saiba mais do que DEUS (v 7). Pelo contrário, reconhece publicamente que DEUS tem o primeiro lugar em tudo (v 9). Não se rebela contra a disciplina e a correção de DEUS, mas recebe-a como vinda de um Pai amoroso (v 11-12). Atenta para o valor de viver de acordo com a sabedoria absoluta de DEUS (v 13) e usufrui da paz e da segurança que isso traz para quem assim procede (v 17). Uma palavra resume a comunhão sábia de uma pessoa com DEUS: CONFIANÇA (v 5).
b) Um sábio relacionamento com os homens (v 27-35).
Uma pessoa inteligente e sábia é aquela que tem um bom relacionamento com o seu próximo. Não é egocêntrica, mas sempre procura um modo de ajudar os outros (v 27). É um esteio para sua comunidade. Presta ajuda de boa vontade quando é necessário, sem demora. Não é maliciosa, destrutiva (v 29) ou rixenta (v 30) contra o seu próximo e não se deixa tentar a juntar-se com os que procedem dessa maneira (v 31). Seu lar desfruta das bênçãos de DEUS e sua comunidade a valoriza e a tem em alto conceito (v 35).
Uma palavra resume o relacionamento desta pessoa com os outros: FIDELIDADE (v 29).
Este texto foi extraído do devocional Pão Diário, escrito por Edson de Oliveira Lima, Araraquara- SP
É COM FIDELIDADE QUE SE EXPRESSA A CONFIANÇA EM DEUS
Você sabe o que é graça? É favor concedido por DEUS a uma pessoa. A graça é um dom de DEUS que influencia a nossa vida. Então, se caminharmos corretamente com DEUS, com toda certeza agiremos da mesma forma para com nosso próximo. Nunca poderemos separar as duas coisas.
Pense no seguinte:
a) Um sábio relacionamento com DEUS (v 5-26)
A pessoa sábia com certeza confia no Senhor (v 5) e não em si mesma porque traz continuamente o Senhor na mente e na alma. Ela conhece a postura certa (v 6) e, é claro, obedece ao Senhor, honrando-o, não achando que saiba mais do que DEUS (v 7). Pelo contrário, reconhece publicamente que DEUS tem o primeiro lugar em tudo (v 9). Não se rebela contra a disciplina e a correção de DEUS, mas recebe-a como vinda de um Pai amoroso (v 11-12). Atenta para o valor de viver de acordo com a sabedoria absoluta de DEUS (v 13) e usufrui da paz e da segurança que isso traz para quem assim procede (v 17). Uma palavra resume a comunhão sábia de uma pessoa com DEUS: CONFIANÇA (v 5).
b) Um sábio relacionamento com os homens (v 27-35).
Uma pessoa inteligente e sábia é aquela que tem um bom relacionamento com o seu próximo. Não é egocêntrica, mas sempre procura um modo de ajudar os outros (v 27). É um esteio para sua comunidade. Presta ajuda de boa vontade quando é necessário, sem demora. Não é maliciosa, destrutiva (v 29) ou rixenta (v 30) contra o seu próximo e não se deixa tentar a juntar-se com os que procedem dessa maneira (v 31). Seu lar desfruta das bênçãos de DEUS e sua comunidade a valoriza e a tem em alto conceito (v 35).
Uma palavra resume o relacionamento desta pessoa com os outros: FIDELIDADE (v 29).
Este texto foi extraído do devocional Pão Diário, escrito por Edson de Oliveira Lima, Araraquara- SP
quinta-feira, 13 de junho de 2013
Colcha de Retalhos
A felicidade é, então, um pouco disso e um pouco daquilo. É um pouco minha e um pouco sua e, com um tempo e com o tempo é compartilhada e vai se tornando nossa, recebendo uma pecinha nova a cada dia...
Como um quebra-cabeças infinito, sem respostas, mas com inúmeras possibilidades de novos encaixes. Como uma colcha de retalhos onde cada pedaço de tecido são os nossos sonhos...
E as nossas mãos vão tecendo cada pedaço como se fosse o único.
terça-feira, 12 de março de 2013
DEUS não faz diferença entre as pessoas
Livro de Atos dos Apóstolos, capítulo 10, versículos 34 a 43:
Então Pedro começou a falar:
Agora percebo verdadeiramente que DEUS não trata as pessoas com parcialidade, mas de todas as nações aceita todo aquele que o teme e faz o que é justo.
Vocês conhecem a mensagem enviada por DEUS ao povo de Israel, que fala da Boa Notícia de paz por meio de Jesus Cristo, Senhor de todos. Vocês sabem o que aconteceu em toda a Judéia, começando pela Galiléia, depois do batismo pregado por João, como DEUS ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e poder. E Jesus andou por toda parte fazendo o bem e curando todos os oprimidos pelo diabo; porque DEUS estava com Jesus. Nós somos testemunhas de tudo o que ele fez na terra dos judeus e em Jerusalém , onde o mataram, suspendendo-o num madeiro. DEUS, porém, o ressuscitou no terceiro dia e fez que ele fosse visto, não por todo o povo, mas por testemunhas que já havia escolhido, por nós que comemos e bebemos com ele depois que ressuscitou dos mortos. E Jesus nos mandou pregar ao povo e testemunhar que foi a ele que DEUS constituiu Juiz dos vivos e dos mortos. Sobre ele todos os profetas dão o seguinte testemunho:
todo aquele que acredita em Jesus recebe, em seu nome, o perdão dos pecados."
Este texto reflete a essência da doutrina primitiva. Na estrutura deste ensino de Pedro podemos ver a estrutura dos atuais evangelhos escritos; estes não são mais do que a cristalização do ensino realizado em comunidades particulares.
O ponto de partida da evangelização e da doutrina é o reconhecimento de que o povo de DEUS é formado por todos aqueles que o respeitam e praticam a sua vontade, ainda que de forma anônima. É essa prática da justiça que a evangelização visa a descobrir, fazer crescer e educar, mostrando tudo o que DEUS realizou em favor de todos os homens através de Jesus Cristo.
Note-se que toda a atividade de Jesus está resumida numa frase que define o programa da ação cristã:
fazer o bem e curar todos os que estão dominados pelo diabo. Em outras palavras, trata-se de despertar relações justas entre os homens, a fim de que eles vençam a alienação e construam uma sociedade voltada para a vida que DEUS quer.
O comentário sobre o texto inicial foi extraído da Bíblia Sagrada - Edição Pastoral
Então Pedro começou a falar:
Agora percebo verdadeiramente que DEUS não trata as pessoas com parcialidade, mas de todas as nações aceita todo aquele que o teme e faz o que é justo.
Vocês conhecem a mensagem enviada por DEUS ao povo de Israel, que fala da Boa Notícia de paz por meio de Jesus Cristo, Senhor de todos. Vocês sabem o que aconteceu em toda a Judéia, começando pela Galiléia, depois do batismo pregado por João, como DEUS ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e poder. E Jesus andou por toda parte fazendo o bem e curando todos os oprimidos pelo diabo; porque DEUS estava com Jesus. Nós somos testemunhas de tudo o que ele fez na terra dos judeus e em Jerusalém , onde o mataram, suspendendo-o num madeiro. DEUS, porém, o ressuscitou no terceiro dia e fez que ele fosse visto, não por todo o povo, mas por testemunhas que já havia escolhido, por nós que comemos e bebemos com ele depois que ressuscitou dos mortos. E Jesus nos mandou pregar ao povo e testemunhar que foi a ele que DEUS constituiu Juiz dos vivos e dos mortos. Sobre ele todos os profetas dão o seguinte testemunho:
todo aquele que acredita em Jesus recebe, em seu nome, o perdão dos pecados."
Este texto reflete a essência da doutrina primitiva. Na estrutura deste ensino de Pedro podemos ver a estrutura dos atuais evangelhos escritos; estes não são mais do que a cristalização do ensino realizado em comunidades particulares.
O ponto de partida da evangelização e da doutrina é o reconhecimento de que o povo de DEUS é formado por todos aqueles que o respeitam e praticam a sua vontade, ainda que de forma anônima. É essa prática da justiça que a evangelização visa a descobrir, fazer crescer e educar, mostrando tudo o que DEUS realizou em favor de todos os homens através de Jesus Cristo.
Note-se que toda a atividade de Jesus está resumida numa frase que define o programa da ação cristã:
fazer o bem e curar todos os que estão dominados pelo diabo. Em outras palavras, trata-se de despertar relações justas entre os homens, a fim de que eles vençam a alienação e construam uma sociedade voltada para a vida que DEUS quer.
O comentário sobre o texto inicial foi extraído da Bíblia Sagrada - Edição Pastoral
sexta-feira, 1 de março de 2013
FAZE-TE AO MAR ALTO
Quão forte é esta expressão de Jesus!
Quão alto Ele não diz. No entanto, quanto mais nos desligarmos da praia, quanto maior for a nossa necessidade e quanto maior o alcance que temos das nossas possibilidades, mais longe iremos em alto mar.
Os peixes eram encontrados em alto mar, não no raso.
Assim acontece conosco; as nossas necessidades devem ser resolvidas nas coisas profundas de DEUS.
Devemos lançar-nos ao mar alto da Sua Palavra, e o Espírito Santo pode abri-la ao nosso entendimento.
Ele pode esclarecê-la de maneira tão cristalina que as mesmas palavras que aprendemos no passado passarão a ter muito mais sentido, e a primeira impressão que nos causaram ficará apagada em nossa mente.
Penetremos no mistério da expiação! Penetremos até que o precioso sangue de Cristo nos seja iluminado de tal forma pelo Espírito, que se torne um bálsamo poderoso e alimento e remédio para a nossa alma e corpo.
Aprofundemo-nos nos mistérios da vontade do Pai! Até que aprendamos em sua infinita exatidão e bondade, e em seu amplo e completo cuidado e provisão para nós.
Conheçamos os mistérios do Espírito Santo! Até que Ele se torne para nós um oceano maravilhoso e inesgotável, no qual podemos mergulhar e lavar as nossas dores e usufruir da alegria de Sua presença.
Sim! Vamos até as profundezas do Espírito Santo - até onde Ele se torne para nós uma resposta maravilhosa de oração, e provemos na experiência como Ele nos dirige com cuidado, como está atento às nossas necessidades, como a Sua mão, de maneira extraordinária, está controlando o que nos acontece.
Penetremos nos caminhos dos propósitos de DEUS e do Seu Reino por vir! Até que a vinda do Senhor Jesus e Seu Reino milenar se abram para nós; até que para além dessas coisas abram-se para nós os séculos dos séculos, de modo que os olhos da mente se ofusquem ante a claridade, e o coração vibre com as inexprimíveis antecipações do gozo no Senhor Jesus e da glória que lhe será revelada.
As águas profundas do Espírito Santo são sempre acessíveis, porque estão sempre vindo.
Por que não clamamos para sermos novamente imersos nessas águas de Vida??
Texto extraído do livro- Mananciais no Deserto - Lettie Cowman
Quão alto Ele não diz. No entanto, quanto mais nos desligarmos da praia, quanto maior for a nossa necessidade e quanto maior o alcance que temos das nossas possibilidades, mais longe iremos em alto mar.
Os peixes eram encontrados em alto mar, não no raso.
Assim acontece conosco; as nossas necessidades devem ser resolvidas nas coisas profundas de DEUS.
Devemos lançar-nos ao mar alto da Sua Palavra, e o Espírito Santo pode abri-la ao nosso entendimento.
Ele pode esclarecê-la de maneira tão cristalina que as mesmas palavras que aprendemos no passado passarão a ter muito mais sentido, e a primeira impressão que nos causaram ficará apagada em nossa mente.
Penetremos no mistério da expiação! Penetremos até que o precioso sangue de Cristo nos seja iluminado de tal forma pelo Espírito, que se torne um bálsamo poderoso e alimento e remédio para a nossa alma e corpo.
Aprofundemo-nos nos mistérios da vontade do Pai! Até que aprendamos em sua infinita exatidão e bondade, e em seu amplo e completo cuidado e provisão para nós.
Conheçamos os mistérios do Espírito Santo! Até que Ele se torne para nós um oceano maravilhoso e inesgotável, no qual podemos mergulhar e lavar as nossas dores e usufruir da alegria de Sua presença.
Sim! Vamos até as profundezas do Espírito Santo - até onde Ele se torne para nós uma resposta maravilhosa de oração, e provemos na experiência como Ele nos dirige com cuidado, como está atento às nossas necessidades, como a Sua mão, de maneira extraordinária, está controlando o que nos acontece.
Penetremos nos caminhos dos propósitos de DEUS e do Seu Reino por vir! Até que a vinda do Senhor Jesus e Seu Reino milenar se abram para nós; até que para além dessas coisas abram-se para nós os séculos dos séculos, de modo que os olhos da mente se ofusquem ante a claridade, e o coração vibre com as inexprimíveis antecipações do gozo no Senhor Jesus e da glória que lhe será revelada.
As águas profundas do Espírito Santo são sempre acessíveis, porque estão sempre vindo.
Por que não clamamos para sermos novamente imersos nessas águas de Vida??
Texto extraído do livro- Mananciais no Deserto - Lettie Cowman
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
AINDA É TEMPO
O homem que deixou a sua marca mais profunda sobre a história da humanidade, certamente foi Jesus Cristo. Passados mais de dois mil anos do seu nascimento, um quinto dos habitantes do Planeta consideram-no um Deus, a segunda pessoa da Santíssima Trindade. Ou seja, aquele menino que nasceu em condições de extrema pobreza na pequenina e inexpressiva Belém, que no início de sua pregação contava apenas com doze seguidores, cujas idéias foram combatidas pelos judeus do seu tempo como heréticas e pelos romanos como subversivas, hoje possui cerca de 850 milhões de pretensos seguidores. Nem todos os que afirmam que o seguem, porém, o fazem realmente, dentro daquilo que ele pregou. O mesmo cristianismo, que há dois milênios era um anátema para os que afirmavam que o professavam, hoje dá "status". É um símbolo de distintivo social. Milhões de pessoas vêem em Jesus Cristo um mito e nada mais. Outros tantos milhares encaram-no sob um ponto de vista político. Como um líder que tinha por objetivo libertar o povo judeu do jugo romano e que consciente de que mediante a violência não conseguiria nenhum êxito contra a mais poderosa máquina de guerra daquele tempo, preferiu lançar mão do expediente da "desobediência civil". Os que o enxergam dessa forma, entendem que ele foi o precursor da "resistência passiva", pregada séculos mais tarde por Mohandas Karamanchand Gandhi, na Índia; por Martin Luther King, nos Estados Unidos e por tantos outros líderes contestadores em várias partes do mundo. Uma parcela considerável não compreende essa figura marcante da humanidade nem como um político, nem como um Deus e nem como um libertador. Vê em Jesus um profeta, um mensageiro do amor, mas não um Messias. No entanto, mesmo entre os ateus declarados (muitos dos quais dizem que o são por questão de modismo), essa divindade que se fez homem é respeitada pela projeção que soube adquirir na história.
VISÃO PARTICULAR
O cristianismo, com todos os seus dogmas, não consegue fazer com que todos os fiéis encarem Jesus Cristo da mesma maneira. Para muitos, ele não passa daquela figura estereotipada que foi passada, através dos séculos, por pregadores inconscientes, passiva de ser subornada com promessas, velas e rezas que não passam de frases decoradas e ditas mecanicamente, sem nenhuma fé ou devoção. Não são poucas as pessoas que praticam a religião como se esta fosse mera transação comercial. Algo feito na base de troca, do "dá cá, toma lá". Do "se o Senhor me arranjar um emprego que me proporcione grandes lucros, rezarei todos os dias dez pai-nossos e oitenta ave-marias". Ou do "se eu passar no vestibular, subirei as escadarias da igreja da Penha de joelhos" e outras propostas como estas. É óbvio que isto não pode ser considerado seriamente, como sendo religião. Pode ser, quando muito, uma tentativa de suborno da divindade.
Cristo, para nós, é um exemplo a ser imitado. Afinal, despiu-se, por um período de tempo (justamente nos anos de vida de um homem que está sujeito às maiores provas e tentações) da sua condição divina para assumir a natureza humana e demonstrar que qualquer pessoa pode sobreviver, sem que se corrompa. E que, mesmo quando não puder, é melhor perder a vida dignamente, do que se sujeitar a determinadas imposições ilusórias. Do que disputar um poder que nada pode. Do que correr atrás de riquezas que só existem na mente dos próprios indivíduos. Afinal, quem estabeleceu, por exemplo, que o ouro deve ser valioso e não um pedaço de rocha? Quem inventou o dinheiro? Quem criou toda a escala de valores comerciais? Certamente não foi nenhuma divindade!
Por isso, amigo, por que não lembrar dos desvalidos, daqueles que estão dormindo ao relento e com os estômagos apertados de fome? Ou dos que trazem o coração vazio, na falta de uma palavra amiga, de um gesto de compreensão ou de um ato solidário? Ou dos alienados, que vivem como autônomos, sem noção alguma de quem são, para que existem ou para onde vão?
Que tal tentar descobrir o Cristo verdadeiro, que não participa de manobras políticas, não está aberto a subornos e nem é somente o personagem de uma gravura ou de uma escultura em que aparece pregado na cruz, mas sim a Luz que ilumina o nosso espírito e o nosso caminho?
(Este texto foi escrito por Pedro J. Bondaczuk)
VISÃO PARTICULAR
O cristianismo, com todos os seus dogmas, não consegue fazer com que todos os fiéis encarem Jesus Cristo da mesma maneira. Para muitos, ele não passa daquela figura estereotipada que foi passada, através dos séculos, por pregadores inconscientes, passiva de ser subornada com promessas, velas e rezas que não passam de frases decoradas e ditas mecanicamente, sem nenhuma fé ou devoção. Não são poucas as pessoas que praticam a religião como se esta fosse mera transação comercial. Algo feito na base de troca, do "dá cá, toma lá". Do "se o Senhor me arranjar um emprego que me proporcione grandes lucros, rezarei todos os dias dez pai-nossos e oitenta ave-marias". Ou do "se eu passar no vestibular, subirei as escadarias da igreja da Penha de joelhos" e outras propostas como estas. É óbvio que isto não pode ser considerado seriamente, como sendo religião. Pode ser, quando muito, uma tentativa de suborno da divindade.
Cristo, para nós, é um exemplo a ser imitado. Afinal, despiu-se, por um período de tempo (justamente nos anos de vida de um homem que está sujeito às maiores provas e tentações) da sua condição divina para assumir a natureza humana e demonstrar que qualquer pessoa pode sobreviver, sem que se corrompa. E que, mesmo quando não puder, é melhor perder a vida dignamente, do que se sujeitar a determinadas imposições ilusórias. Do que disputar um poder que nada pode. Do que correr atrás de riquezas que só existem na mente dos próprios indivíduos. Afinal, quem estabeleceu, por exemplo, que o ouro deve ser valioso e não um pedaço de rocha? Quem inventou o dinheiro? Quem criou toda a escala de valores comerciais? Certamente não foi nenhuma divindade!
Por isso, amigo, por que não lembrar dos desvalidos, daqueles que estão dormindo ao relento e com os estômagos apertados de fome? Ou dos que trazem o coração vazio, na falta de uma palavra amiga, de um gesto de compreensão ou de um ato solidário? Ou dos alienados, que vivem como autônomos, sem noção alguma de quem são, para que existem ou para onde vão?
Que tal tentar descobrir o Cristo verdadeiro, que não participa de manobras políticas, não está aberto a subornos e nem é somente o personagem de uma gravura ou de uma escultura em que aparece pregado na cruz, mas sim a Luz que ilumina o nosso espírito e o nosso caminho?
(Este texto foi escrito por Pedro J. Bondaczuk)
sábado, 15 de dezembro de 2012
Prece do Natal de Ruy Barbosa- 1898
Tenho guardada comigo, há muito tempo, uma cópia desta prece. Publiquei um pequeno trecho dela no Facebook, mas não resisti e vou transcrevê-la inteira para quem se interessar em lê-la na íntegra.
É muito profunda e inspiradora! Vale a pena "ganhar" alguns minutos lendo-a.
Prece do Natal
Mistério Divino, em cujo seio, há mil e novecentos anos, se desenvolve a civilização humana, perdoa aos que, deste lugar de fraquezas e de paixões, ousam esflorar com o pensamento a tua pureza. Os moldes da única eloquência capaz de te não profanar quebraram-se com a última inspiração dos teus livros sagrados. Desde então, de cada vez que o homem se desengana do homem, e a alma precisa do ideal eterno, na melancolia das épocas agitadas e tenebrosas, diante da injustiça ou da dúvida, da opressão ou da miséria, é no cristal das tuas fontes que se vai saciar a nossa sede. Deixaste-as abertas na rocha da tua verdade e, há dezenove séculos, que borbotoam com o mesmo frescor das primeiras lágrimas daquela cuja maternidade virginal desabotoa hoje na flor da redenção cristã.
Tamanha é a sua grandeza, que excede todas as do universo e da razão: o espaço, o tempo, o infinito, acima dos quais a cruz da tua tragédia espantosa parece maior que os vôos da metafísica, as imensidades do cálculo, das hipóteses, do sonho. Daí a palavra e a imaginação recuam assombradas, balbuciando. A criatura sente o teu amor, mas tremendo. Vê-se alvorecer a eternidade na magnificência de um abismo que se rasga no céu; mas nas tuas arestas alguma coisa há de sombra e ameaça. De onde, porém, tu penetras no coração de todos com a doçura de uma carícia universal, é daquele presépio, onde a tua bondade nos amanheceu, um dia, no sorriso de uma criança.
Enquanto César cuidava do Império e Roma do mundo, assomavas tu ao canto de uma província e, na vileza de um estábulo, sem que Roma, nem César, nem o império te percebessem, para ficar à posteridade a lição indelével de que a política ignora sempre os seus mais formidáveis interesses. Tiveste por berço as palhas de um curral. A última das mães sentir-se-ia humilhada se houvesse de reclinar o fruto de seu regaço no sítio abjeto onde recebeste os primeiros carinhos da tua. Mas a manjedoura, onde soabriste os olhos à primeira luz, recende, até hoje, o perfume da mais esquisita poesia, e o dia do teu natal fez-se para a cristandade o mais formoso dia da terra, o dia azulado e cor de rosa entre todos, como o céu da manhã e o rosto das crianças.
Elas, de geração em geração, ficaram sabendo, para todo o sempre, a história do teu nascimento. E, nessas festas do seu contentamento e da sua inocência, tens, ó Deus dos mansos e dos fracos dos humildes e dos pequeninos, a parte mais límpida do teu culto, o raio mais meigo da tua influência benfazeja. Esses ritos infantis estrelam de alegria as neves polares, orvalham de suave humildade os fulgores tropicais, estendem o firmamento debaixo de nossos tetos e, dentro do nosso espírito mortificado, inquieto, triste, põem uma hora de alvorada feliz.
Cristo! Como te sentimos bom, quando te vemos entre as crianças e quando as crianças te encontram entre si! Despindo a tua majestade toda, para caberes num seio de mulher e no tamanho de um pequenito, assentaste sobre as almas um império sutil e irresistível, por onde a espontaneidade da nossa adoração continuamente se renova e embalsama nas origens da vida.
Todos aqueles pais, irmãos ou benfeitores, a quem concedeste a benção de amar um menino e o têm nos braços, ou o perderam, vêem nele a tua imagem, a cópia, idealizada pela fé e pelo amor, do eterno tipo do belo. Divinizando a infância, nascendo e florescendo com ela, deixaste à espécie humana a reminiscência mais amável e celeste da tua misericórdia para conosco.
De cada casa, onde permitiste que gorjeie e pipile esta manhã um desses ninhos tecidos pela providência das mães no meio das nossas agonias, se estão exalando para ti as súplicas e os hinos do nosso alvoroço. Por essas criaturinhas, Senhor, é que o nosso espírito se peja de cuidados e a nossa previsão, agora mesmo, enoiteceria de agouros funestos, se te não víssemos de permeio entre elas e o futuro carregado e temeroso.
Deus benigno e piedoso, que em cada uma delas nos deixaste a miniatura da tua face desnublada, poupa-as à expiação das nossas culpas. Multiplica os nossos sofrimentos em desconto dos seus. Doura-lhes o porvir do teu riso compassivo. Cura nossa Pátria da aridez da alma, que a mata, semeando a tua semente nesta geração que desponta. Permite, enfim, que nossos filhos possam celebrar com os seus, em dias mais ditosos, a alegria do teu Natal.
É muito profunda e inspiradora! Vale a pena "ganhar" alguns minutos lendo-a.
Prece do Natal
Mistério Divino, em cujo seio, há mil e novecentos anos, se desenvolve a civilização humana, perdoa aos que, deste lugar de fraquezas e de paixões, ousam esflorar com o pensamento a tua pureza. Os moldes da única eloquência capaz de te não profanar quebraram-se com a última inspiração dos teus livros sagrados. Desde então, de cada vez que o homem se desengana do homem, e a alma precisa do ideal eterno, na melancolia das épocas agitadas e tenebrosas, diante da injustiça ou da dúvida, da opressão ou da miséria, é no cristal das tuas fontes que se vai saciar a nossa sede. Deixaste-as abertas na rocha da tua verdade e, há dezenove séculos, que borbotoam com o mesmo frescor das primeiras lágrimas daquela cuja maternidade virginal desabotoa hoje na flor da redenção cristã.
Tamanha é a sua grandeza, que excede todas as do universo e da razão: o espaço, o tempo, o infinito, acima dos quais a cruz da tua tragédia espantosa parece maior que os vôos da metafísica, as imensidades do cálculo, das hipóteses, do sonho. Daí a palavra e a imaginação recuam assombradas, balbuciando. A criatura sente o teu amor, mas tremendo. Vê-se alvorecer a eternidade na magnificência de um abismo que se rasga no céu; mas nas tuas arestas alguma coisa há de sombra e ameaça. De onde, porém, tu penetras no coração de todos com a doçura de uma carícia universal, é daquele presépio, onde a tua bondade nos amanheceu, um dia, no sorriso de uma criança.
Enquanto César cuidava do Império e Roma do mundo, assomavas tu ao canto de uma província e, na vileza de um estábulo, sem que Roma, nem César, nem o império te percebessem, para ficar à posteridade a lição indelével de que a política ignora sempre os seus mais formidáveis interesses. Tiveste por berço as palhas de um curral. A última das mães sentir-se-ia humilhada se houvesse de reclinar o fruto de seu regaço no sítio abjeto onde recebeste os primeiros carinhos da tua. Mas a manjedoura, onde soabriste os olhos à primeira luz, recende, até hoje, o perfume da mais esquisita poesia, e o dia do teu natal fez-se para a cristandade o mais formoso dia da terra, o dia azulado e cor de rosa entre todos, como o céu da manhã e o rosto das crianças.
Elas, de geração em geração, ficaram sabendo, para todo o sempre, a história do teu nascimento. E, nessas festas do seu contentamento e da sua inocência, tens, ó Deus dos mansos e dos fracos dos humildes e dos pequeninos, a parte mais límpida do teu culto, o raio mais meigo da tua influência benfazeja. Esses ritos infantis estrelam de alegria as neves polares, orvalham de suave humildade os fulgores tropicais, estendem o firmamento debaixo de nossos tetos e, dentro do nosso espírito mortificado, inquieto, triste, põem uma hora de alvorada feliz.
Cristo! Como te sentimos bom, quando te vemos entre as crianças e quando as crianças te encontram entre si! Despindo a tua majestade toda, para caberes num seio de mulher e no tamanho de um pequenito, assentaste sobre as almas um império sutil e irresistível, por onde a espontaneidade da nossa adoração continuamente se renova e embalsama nas origens da vida.
Todos aqueles pais, irmãos ou benfeitores, a quem concedeste a benção de amar um menino e o têm nos braços, ou o perderam, vêem nele a tua imagem, a cópia, idealizada pela fé e pelo amor, do eterno tipo do belo. Divinizando a infância, nascendo e florescendo com ela, deixaste à espécie humana a reminiscência mais amável e celeste da tua misericórdia para conosco.
De cada casa, onde permitiste que gorjeie e pipile esta manhã um desses ninhos tecidos pela providência das mães no meio das nossas agonias, se estão exalando para ti as súplicas e os hinos do nosso alvoroço. Por essas criaturinhas, Senhor, é que o nosso espírito se peja de cuidados e a nossa previsão, agora mesmo, enoiteceria de agouros funestos, se te não víssemos de permeio entre elas e o futuro carregado e temeroso.
Deus benigno e piedoso, que em cada uma delas nos deixaste a miniatura da tua face desnublada, poupa-as à expiação das nossas culpas. Multiplica os nossos sofrimentos em desconto dos seus. Doura-lhes o porvir do teu riso compassivo. Cura nossa Pátria da aridez da alma, que a mata, semeando a tua semente nesta geração que desponta. Permite, enfim, que nossos filhos possam celebrar com os seus, em dias mais ditosos, a alegria do teu Natal.
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